segunda-feira, 18 de maio de 2009

Acordei com aquela sensação estranha, porém familiar, de não saber se foi sonho ou realidade. Aquela sensação de quem acabou de levar um soco na boca do estomago e ainda está assimilando a dor. Revirei-me na cama mas parei de me mexer no instante em que percebi que se eu me movimentasse muito o seu cheiro no meu travesseiro ficava mais evidente. Olhei meu celular para ver se você não tinha mesmo respondido a mensagem. Puxei um livro, olhei de novo o celular. Li um capítulo, olhei o celular. Li duas linhas e olhei de novo o celular. Lembrei de quando fomos assistir aquele filme e você achou graça das mulheres que ficam paradas na frente do telefone, esperando o tal cara ligar para elas e eu te jurei que era verdade. Hoje eu fui uma delas. Li mais uns capítulos e decidi arrumar meu quarto: muita coisa lembrava você. Ao abrir a janela do banheiro, um turbilhão de lembranças tomou conta de mim. Respirei fundo e varri tudo. Arrumei a caixa de papelão que eu planejava arrumar desde que me mudei para cá. Entrei na internet e fiquei sentada na frente do computador, mais espiando se você tinha entrado do que lendo o livro que voltara para as minhas mãos. Pensei se eu gostava mesmo de você ou era só costume, carência, comodismo. Afinal, você para mim estava sendo meu mentor nessa cidade desde que eu cheguei aqui - na sua cidade. Não gosto de você, vou trocar os lençóis. Mas se não gostasse não ficaria olhando para o celular a cada 10 minutos para ver se você resolveu me ligar. Entre um parágrafo e outro olhava para o MSN. Você não estava, e quando entrou não falou comigo e a minha internet caiu. Era tudo que eu queria. Mandei uma mensagem - você sumiu! Mal deu para perceber o meu desespero de te perder escrito entre as duas palavras da mensagem. Eu não vou correr atrás de ti, eu não vou atrás, vê se me liga de uma vez! Então tá, eu sigo a minha vida.

A gorda chega e arruma as malas para ir embora e eu quero te ligar e contar a novidade que te deixaria tão feliz. Leio mais uns 15 capítulos e o livro é quase uma metáfora da minha vida. O ex que sempre volta, o atual que não sabe explicar a situação - e nem tenta, o mundo novo numa cidade cheia de liberdade e possibilidades. Já que você não me liga eu me enfio mais e mais no livro, e a noite vem chegando e nada de você. Então chega a mensagem que eu mais esperava com as palavras que eu mais temia: você não tem o que me falar. Acho o cumulo da tristeza quando o assunto morre, quando o interesse acaba, quando a química se vai. O fim do livro está chegando e eu não consigo desgrudar dele. O ex se revela um cara totalmente egocêntrico e com uma falta de humildade tamanha que só pode ser comparada a de uma pessoa: o MEU ex. O atual atravessa o oceano para dizer que perdoa a mulher que o entendeu mal – e você não atravessa nem a Avenida Brasil para me falar que é tudo uma grande besteira e que nosso amor é maior do que tudo isso.

Depois desse dia de agonia eu tenho mais certeza de que é amor mesmo, e de que meu mundo acaba quando você não está do meu lado, e que a história com o shay terminou faz tempo e meu orgulho ferido já se curou faz tempo. É o caracol do seu parabrisa que eu tiraria. E de mais ninguém. Agora vê se acredita em mim e vem deitar na nossa cama – que ainda está com o nosso lençol.

1 comentários:

Kah disse...

He's not that into you abriu meus olhos pra vida. :x

É foda que a gente só percebe que ama quando a gente perde ou chega perto de. :/